Cirandas, brincadeiras e cantigas de roda

Cantigas de roda, Cirandas ou Brincadeiras de roda são brincadeiras infantis, onde as crianças formam uma roda de mãos dadas e cantam melodias folcloricas, podendo executar ou não coreografias acerca da letra da música. É uma grande expressão folclórica e, acredita-se que pode ter origem em músicas modificadas de um autor popular ou nascido anonimamente na população. São melodias simples, tonais, com âmbito geralmente de uma oitava e sem modulações. O compasso geralmente utilizado é o binário, outras vezes o quartenário. Entre as cantigas de roda mais conhecidas estão Roda pião, Escravos de Jó, Rosa juvenil, Sapo Jururu, O cravo e a rosa e Atirei o pau no gato.

As letras das canções podem sofrer variações regionais, comuns em manifestações de transmissão oral.

A Barca Nova

Minha mana Mariquinhas,
Vamos à praia passear,
Vamos ver a barca nova
Que do Céu caiu ao mar.

Nosso Senhor no altar,
São José a contramestre,
Nossa Senhora na frente,
Os anjinhos a remar.

Remem, remem, meus anjinhos
Que essas águas são de flores...
Quinta feira é de endoenças
Sexta feita é da paixão,
Domingo é de procissão.

A Praia (outra versão de A Barca Nova)

Ora vamos, maninha, vamos
À praia passear,
Vamos ver a barca nova
Que do céu caiu ao mar.

Nossa Senhora vai dentro,
Os anjinhos a remar,
Remem, remem, remadores,
Que essas águas são de flores.

* Estribilho geral:

Os quindins, olé...
Os quindins, olá
Toca a viola
Toca a dançar.

o piru

a mão direita tem uma roseira,
que dá flor na primavera.
Entrai na roda oh linda roseira,
e abraçai a mais faceira.
a mais faceira eu não a quero
quero a boa companheira.

Atirei o pau no gato

Atirei o pau no gato, tô, tô
mas o gato, tô, tô
não morreu, reu, reu
dona Chica, cá
admirou-se, se
do berrô, do berrô
que o gato deu, miau!

Não atire o pau no gato (Versão ecológica)

Não atire o pau no gato, tô
porque isso,sô, sô
não se faz
O gatinho, nhô
É nosso amigo, gô
Não devemos,não devemos
maltratar os animais, miau!

A brincadeira

Forma-se uma roda, onde as crianças vão andando de mãos dadas e cantando. Quando forem fazer miau, as crianças abaixam-se rapidamente e pulam, gritando bem alto o "MIAAAAAU!"

Capelinha de melão

Capelinha de melão
É de São João
É de cravo,
é de rosa,
É de manjericão

São João está dormindo
Não acorda, não
Acordai,
acordai,
Acordai, João!

Caranguejo

Caranguejo não é peixe
Caranguejo peixe é
Caranguejo não é peixe
Na vazante da maré.

Palma, palma, palma,
Pé, pé, pé
Caranguejo só é peixe
Na vazante da maré.

Caranguejo - Outra Versão

Fui à Espanha
Buscar meu chapéu
Azul e branco
Da cor daquele céu

Olha palma, palma, palma
Olha pé, pé, pé
Olha roda,roda,roda
Caranguejo peixe é

Caranguejo não é peixe
Caranguejo peixe é
Caranguejo só é peixe
Na enchente da maré

Samba crioula
Que vem da Bahia
Pega essa menina
E joga na bacia

A bacia é de ouro
Areada com sabão
E depois de areada
Enxugada com o roupão

O roupão é de seda
Camiseta de filó
Cada um pega o seu par
Para dar bênção a vovó

A benção vovó, a benção vovó.

A Brincadeira

As crianças se dão as mãos e giram formando uma roda, cantando e fazendo gestos referentes à letra da música. Por exemplo, apontam para o céu na primeira estrofe; batem palmas e pés, na segunda; Colocam as mãos na cintura, rebolam e, em seguida, fazem o gesto de jogar algo no centro com as duas mãos, na terceira estrofe; depois,refazem a roda e seguem girando até o fim da música, quando todos correm para abraçar a criança mais velha do grupo e pedir sua benção.

Carneirinho, carneirão

Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, pro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos sentarmos.

* As crianças se sentam e sentados cantam:

Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, pro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos levantarmos.

* As crianças se levantam e cantam:

Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, pro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos ajoelharmos.

* As crianças se ajoelham e cantam:

Carneirinho, carneirão, neirão, neirão
Olhai pro céu
Olhai pro chão, p´ro chão, pro chão,
Manda o rei de Portugal
Para nós nos levantarmos.

Chapéu de três pontas

O meu chapéu tem três pontas,
tem três pontas o meu chapéu.
Se não tivesse três pontas,
não seria o meu chapéu.

A brincadeira

Ao final do primeiro canto, escolhe-se uma palavra que se cantará de forma "muda" usando-se gestos no lugar. A cantiga continua e a cada rodada continua-se tirando uma palavra.

Ciranda cirandinha

Ciranda, cirandinha
vamos todos cirandar
vamos dar a meia-volta
volta e meia vamos dar

O anel que tu me deste
era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou

Por isso, D. Fulano
entre dentro dessa roda
diga um verso bem bonito
diga adeus e vá-se embora

A ciranda tem três filhas
Todas três por batizar
A mais velha delas todas
Ciranda se vai chamar

Escravos de Jó

* Escravos de Jó (versão Zé Pereira) [1]

Escravos de Jó, jogavam caxangá
Tira, põe, deixa ficar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá.

* Escravos de Jó (versão Cão Guerreiro) [2]

Nota: comum no Pará.

Escravos de Jó, jogavam gaxangá
Tira, bota, deixa o cão guerreiro entrar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá

* Escravos de Jó (versão "tira-põe") [3]

Nota: comum em São Paulo.

Escravos de Jó jogavam caxangá
Tira, põe, não deixa ficar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-ziguezague;
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-ziguezague.

A brincadeira

1. Sentadas em roda, cada criança deve ter um objeto à mão (caixa de fósforo, copo, pedra etc.).
2. Enquanto canta, cada criança passa o objeto para o colega ao lado, fazendo movimentos conforme a letra:
Os escravos de Jó jogavam caxangá (vai passando para o colega ao lado o objeto que foi posto à sua frente );
Tira (levanta o objeto), põe (põe na sua frente na mesa), deixa ficar (aponta para o objeto na frente e balança o dedo);
Guerreiros com guerreiros fazem zigue (passa seu objeto para o colega ao lado), zigue (volta o objeto para sua frente), zá (passa seu objeto para o colega).
5. Na primeira vez, a letra é cantada normalmente. Na segunda vez, a letra é substituída por lálá lálálá... e, por último, as crianças fazem todos os movimentos da brincadeira, porém sem cantar a música.
6. Sai da brincadeira aquele que errar um movimento.

Ficarás sozinha

Ó Fulanazinha,
Ó Fulanazinha,
Entrarás na roda,
Ficarás sozinha.

* A menina cujo nome é citado entra para o meio da roda e canta:

Sozinha eu não fico,
Nem hei de ficar
Uma de vocês (em outra versão: Porque Fulaninha)
Há de ser meu par.

* Tira pela mão a escolhida, que atende ao convite e dançando com ela, canta:

Tira, tira seu pezinho,
Põe (Bota) aqui ao pé do meu,
E depois não vá dizer
Que você se arrependeu.

Fonte do Itororó

Fui no Itororó
beber água não achei
achei bela morena
que no Itororó deixei

Aproveite, minha gente,
que uma noite não é nada
Se não dormir agora,
dormirá de madrugada

Ó dona Maria,
Ó Mariazinha,
entrarás na roda
e dançarás sozinha

Sozinha eu não danço
nem hei de dançar
porque eu tenho o fulano
para ser meu par

A brincadeira

Forma-se uma roda em torno de uma pessoa, e fica-se andando e cantando. quando chegar à última estrofe, a roda para e a pessoa do centro canta sozinha, escolhendo o próximo a ficar no centro. Essa brincadeira surgiu na cidade de santos pela fonte do Itororó

O cravo e a rosa

O cravo brigou com a rosa,
Debaixo de uma sacada.
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada.

O cravo ficou doente.
A rosa foi visitar.
O cravo teve um desmaio,
E a rosa pôs-se a chorar.

Pai Francisco

Pai Francisco entrai na roda,
Tocando seu violão.

* O menino que faz de Pai Francisco entra na roda que continua a cantar de mãos dadas:

Quem dirá, meu bem, quem dirá?
Pai Francisco está na prisão.

* Pai Francisco, fingindo tocar violão, dança e requebra:

Como ele aí vem,
Todo requebrado,
Ganhando dinheiro
Com o seu melado (em outra versão: Pedindo vinténs)

(em outra versão:)

Ai como ele vem,
todo requebrado,
parece um boneco
desengonçado

O Pobre e o Rico

* As crianças se dispõem em fileira e, distante uns dez passos, fica a que vai ser a "pobre". A fileira "rica" avança e canta:

Eu sou rico, rico, rico,
De marré, marré, marré (outra versão:de mar é, mar é, mar é)(ou ainda: De mavé, mavé, mavé)
Eu sou rico, rico, rico,
De marré, de si. ( de mavé, descer)

* A "pobre" canta:

Eu sou pobre, pobre, pobre,
Vou-me embora, vou-me embora
Eu sou pobre, pobre, pobre,
Vou-me embora, vou-me embora.

* A fileira "rica" canta:

Eu sou rico, rico, rico,
Vou-me embora, vou-me embora
Eu sou rico, rico, rico,
Vou-me embora daqui.

* A fileira "pobre" avança e diz:

Dai-me um destes meninos, (em outra versão: Dai-me uma de vossas filhas)
Vou-me embora, vou-me embora.
Dai-me um destes meninos,
Vou-me embora, vou-me embora.

* E a fileira "rica":

Escolhei a que quiserdes
Vou-me embora, vou-me embora,
Escolhei a que quiserdes
Vou-me embora daqui.

A brincadeira

A pobre vai sucessivamente engrossando suas fileiras até que a rica vira pobre. Invertidos os papéis, o brinquedo recomeça.

O Pobre e o Rico, Outra Versão:

* As crianças se dispõem em fileira e, distante uns dez passos, fica a que vai ser a "rica". A fileira "pobre" avança e canta:

Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré, marré, marré(outra versão: de mar é, mar é, mar é)(ou ainda: De mavé, mavé, mavé)
Eu sou pobre,pobre,pobre
De marré, de si.(de mavé, descer)

* A fileira "rica" avança e canta:

Eu sou rico, rico, rico,
De marré, marré, marré
Eu sou rico, rico, rico,
De marré, de si.

* A "rica" canta:

Quero uma de suas filhas
De marré, marré, marré
Quero uma de suas filhas
De marré, de si.

* A "pobre" responde:

Escolhei a que quiser
De marré, marré, marré
Escolhei a que quiser
De marré, de si

* A "rica" canta:

Eu quero a Fulanazinha
De marré, marré, marré
Eu quero a Fulanazinha
De marré, de si

* Indaga a "pobre":

Que ofício (vai dar)dará a ela?
De marré, marré, marré
Que ofício dará a ela?
De marré de si.

* Responde a "rica":

Dou ofício de ...( sugere-se uma profissão como, por exemplo, costureira)
De marré, marré, marré
Dou ofício de ...
De marré,de si.

* Retrucam as "pobres", aceitando ou renegando o ofício proposto:

Esse ofício não me agrada( ou esse ofício me agrada)
De marré, marré, marré
Esse ofício não me agrada( ou esse ofício me agrada)
De marré de si.

* Toda vez que um ofício é aceito, uma das filhas pobres passa para o lado da rica e a brincadeira segue, até que todas passem para o lado rico, quando então se encerra a brincadeira cantando:

Eu, de pobre fiquei rica
De marré, marré, marré
Eu, de pobre fiquei rica
De marré, de si

Roda Pião

O pião entrou na roda, ó pião
O pião entrou na roda, ó pião
Roda pião, bambeia pião
Roda pião, bambeia pião

Sapateia no terreiro, ó pião!
Sapateia no terreiro, ó pião!
Roda pião, bambeia pião
Roda pião, bambeia pião

Mostra tua figura, ó pião
Mostra tua figura, ó pião
Roda pião, bambeia pião
Roda pião, bambeia pião

Faça uma cortesia, ó pião
Faça uma cortesia, ó pião.

Versão mais antiga

Sapateia no tesouro, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)
Agora entrae na roda, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)
Mostra a sua figura, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)
Entregae o chapéo a outra, ó pião (bis)
Rodae, ó pião, bambeia, ó pião (estribilho)

Sapo Cururu (ou Sapo Jururu)

Sapo Cururu
Na beira do rio
Quando o sapo pula,
Ó maninha,
É que esta com frio

A mulher do sapo
deve estár lá dentro
Fazendo rendinha,
Ó maninha,
Pro seu casamento

A brincadeira

Forma-se uma roda, onde as crianças vão andando de mãos dadas e cantando.

Se esta rua fosse minha

Se esta rua, se esta rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
só pro o meu, só pro o meu amor passar

Nesta rua, nesta rua tem um bosque
que se chama, que se chama solidão
dentro dele, dentro dele mora um anjo
que roubou, que roubou meu coração

Se roubei, se roubei teu coração
tu roubaste, tu roubaste o meu também
se roubei, se roubei teu coração
é porque, é porque te quero bem

A brincadeira

Forma-se a roda com uma criança no centro. Canta-se, girando, até a segunda estrofe, onde a criança do centro canta-a sozinha e escolhe outra pessoa para ficar no centro da roda.

Senhora dona Sancha

Senhora Sancha,
Coberta de ouro e prata,
Descubra o seu rosto,
Que eu quero ver a lata.

Que anjos são esses,
Que andam por aqui,
De dia e de noite,
À roda de mim?

São filhos de reis,
E netos de conde,
Que mandam que se esconda,
Debaixo duma pedra.

A brincadeira

Quem quiser servir de Sancha senta-se no centro e cobre o rosto com as mãos. Ao terminar a terceira quadra enrola-se um pano na cabeça de Sancha, e aproximando-se dela dizem todos Uh! Uh! Uh! E, correndo, vão-se esconder e quando todos estiverem escondidos, o fiscal do brinquedo diz; Pode. Sancha retira o pano e vai à procura. Escapam os que chegam ao ´pique´ combinado; quem é agarrado irá ser a próxima D. Sancha.

Senhora dona Sancha - Outra versão

Senhora dona Sancha
Coberta de ouro e prata
Descobri o vosso rosto
Quero ver a vossa face.

Que anjos são estes
Que andam me arrodeando
De noite e de dia
Rezando Ave-Maria

Somo filhas do conde
do conde visconde
O seu rei mandou dizer
Para todas se esconder.

A Brincadeira

As crianças que fazem a roda se agacham e aquela que faz a vez de d.Sancha vai pondo a mão na cabeça de criança que esta agachada perguntando:

-Minha gatinha?

-Miau!!!

Aí fala o nome de quem respondeu. Se acertou (não me lembro "se errou") passa à frente fazendo a mesma pergunta à outra criança; Aquela que adivinhar o nome irá ocupar o lugar de dona Sancha.

(Fonte: memória. Bricandeira feita por volta de 1940/1942 em Santo Inácio-PR. no tempo da primeira professora Mota de Souza)

Teresinha de Jesus

Teresinha de Jesus
numa queda foi ao chão
acudiram três cavalheiros
todos três chapéu na mão

O primeiro foi o pai
o segundo, seu irmão
o terceiro foi aquele
que à Teresa deu a mão

Da laranja quero um gomo
do limão quero um pedaço
da menina mais bonita
quero um beijo e um abraço

Tanta laranja madura
tanto limão pelo chão
tanto sangue derramado
dentro de um só coração

A brincadeira

Forma-se uma roda em torno de quatro participantes (os personagens, um ajoelhado e os outros três em pé), que vão interpretando a história. Na última estrofe, cantada pela Teresinha já de pé, ela escolhe outra pessoa para ser a Teresinha.

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